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Sobre

Sewell - A cidade do cobre

No inicio do século XX, quando foi iniciada a exploração industrial da mina de cobre El Teniente,a única maneira de chegar a este local inóspito era a pé ou em lombo de cavalos.
As viagens eram longas, cansativas e perigosas.Por isto havia a necessidade de alojar todos os trabalhadores e suas famílias próximos ao local de trabalho.
Foi assim que nasceu a vila de Sewell, construída sobre uma colina íngreme, isolada no meio do vale abrupto,fora do perigo de ser atingida por uma avalanche.
Era composta por cerca de 400 edifícios feitos com madeira nobre, retirada dos bosques nativos da costa chilena.
As casas eram interligadas por um sistema de escadas e túneis que cobriam um desnível de quase 300 metros entre a parte alta da cidade e a entrada da mina. Na década de 1950,no auge da produção de cobre, chegou a ter uma população de 16 mil pessoas,
todas vivendo isoladas em meio ao frio e a neve que cobria a cordilheira boa parte do ano.Os acidentes eram freqüentes, tanto devido a falta de segurança, como pelas constantes avalanches de neve e desmoronamentos de rochas.Além disto, a grande quantidade de pó e os produtos químicos usados na extração do mineiro tornavam o dia a dia ainda mais difícil.
A insegurança, a insalubridade e o isolamento destas famílias eram compensados por altos salários e muito conforto. Todas as casas eram aquecidas e na vila existiam escolas, teatro, mercado, boliche e até cinema. Conta-se que os filmes de sucesso trazidos dos Estados Unidos, eram exibidos primeiro em Sewell e depois no restante do Chile.
Além dos altos salários, os mineiros não pagavam nada pelas casas, água, luz e lenha.
Porém, todos esses benefícios tinham um preço. Regras de comportamento estritas regiam o lugar, onde o consumo de bebida alcoólica era proibido,assim com o namoro público entre os jovens solteiros.

A vila começou a ser abandonada no final da década de 1960, quando o ar e a água ficaram contaminados com os resíduos produzidos pela mina.
Poucos anos depois foi inaugurada a estrada que ligava Sewell a Rancagua, o que permitiu que muitos mineiros viessem trabalhar diariamente na mina sem precisar viver em Sewell.
A última família a abandonar a vila saiu em 1981 e a cidade começou a ser sistematicamente demolida. A destruição só foi interrompida com o inicio do processo na ONU que, em 2006 transformou a vila de Sewell em Patrimônio da Humanidade.

Hoje restaram apenas 43 prédios, alguns em péssimo estado de conservação. A empresa mineradora Coldeco, pertencente ao governo chileno e responsável pela mina, cuida da manutenção e restauração do que sobrou da cidade.
Os recursos empregados são poucos e o tempo parece estar ganhando a corrida. Mesmo assim,
Sewell continua sendo um lugar impressionante, tanto pela sua história, como também pela sua arquitetura singular.

Mina El Teniente

Porém, uma visita a Sewell não será completa sem conhecer também a mina que a originou,
pois ambas tem uma ligação simbiótica profunda. A mina El Teniente é considerada a maior mina de extração de cobre em profundidade do mundo.
Possui mais de 2.400 quilômetros de túneis que avançam para o interior da cordilheira em uma altitude que varia de 2.000 a 2500 metros sobre o nível do mar. Ativa a mais de 100 anos, emprega hoje cerca de 10 mil funcionários que trabalham nela 24 horas por dia, 7 dias por semana. Todo dia são extraídas 110 mil toneladas de rocha bruta das quais se produzem 1.100 toneladas de cobre puro.
Como produto secundário, são extraídos 5 mil toneladas anuais de Molibdênio, um mineral de alto valor de mercado usado na fabricação do aço.

O cobre é chamado de Pão do Chile, pois é o principal produto de exportação do país,
responsável pela entrada de centenas de milhões de dólares. Em todo o Chile,
existem dezenas de minas, alguns delas particulares e outras comandadas pelo governo.
Somente as minas de cobre da Codelco, são responsáveis por 40% do PIB chileno.

Visitar a mina El Teniente é algo impressionante, tantos pelo ineditismo do passeio como pelas proporções de tudo dentro da mina. As instalações são gigantescas, com enormes túneis, grandes máquinas moedoras,
esteiras de transporte quilométricas e um elevador subterrâneo com capacidade para 400 pessoas.
Durante a visita turística é possível conhecer um pouco da historia deste lugar, bem como parte do processo de extração do cobre.
A visita começa com a colocação de um equipamento de segurança, imprescindível para se entrar nas instalações.
Este equipamento consiste em óculos de proteção, capacete, botas, jaqueta laranja com refletores,um purificador de ar e um respirador de emergência preso a cintura.
Vestido assim, o visitante está protegido para enfrentar qualquer emergência e sente-se como um verdadeiro mineiro.

O próximo passo é subir em um micro-ônibus e entrar por um túnel de acesso que nos leva 4 quilômetros para dentro da montanha.
Quando desembarcamos, já estamos a mais de mil metros abaixo da superfície.
A mina é um verdadeiro formigueiro, onde circulam diariamente milhares de pessoas.
Como os túneis são estreitos, suficiente para a passagem de apenas um veiculo por vez, foram estabelecidos turnos, com horários bem rígidos para entrar ou sair da mina.
Por segurança, tudo é controlado nos mínimos detalhes e gigantescas portas se abrem e se fecham isolando os setores inteiros da mina.
Depois de caminhar por algumas centenas de metros dentro dos túneis, chegamos a Caverna dos Cristais.
Trata-se de uma caverna natural forrada de cristais de quartzo, gesso e pirita,
uma pedra dourada chamada também de Ouro dos Tolos. A quantidade de minerais é imensa.
A caverna é entrecortada por enormes cristais translúcidos de gesso, alguns deles com mais de 8 metros de comprimento.
São pedras muito raras somente encontradas em grandes profundidades.
Quando iluminada, a caverna se torna o cenário perfeito da história de Julio Verne, A viagem ao centro da terra.

Depois de conhecer os cristais, o passeio atravessa mais túneis em direção a uma das maquinas moedoras de pedra.
É uma estrutura enorme na forma de um grande funil. Neste gigantesco liquidificador são atiradas as pedras trazidas,
por gravidade, da parte superior da mina, mais de 200 metros acima.
No meio do funil, uma bola de aço e titânio de 36 toneladas é a responsável por transforma rochas do tamanho de uma geladeira em pedras com apenas 20 centímetros de diâmetro.
Neste lugar pode-se ver em detalhes como funciona todo o processo de extração e observar a máquina em funcionamento. Impressionante!
Caminhar pelas escadarias de Sewell e conhecer o interior da mina El Teniente é uma experiência fascinante,
que nos permite volta ao passado e compreender melhor o espírito empreendedor do ser humano, capaz de vencer desafios e grandes barreiras em busca de um ideal.

Fonte: Eco Viagem

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