Nada pode ser previsível em uma viagem à Índia especialmente a reação de quem a visita. Há quem a ame e quem a odeie, mas ninguém fica indiferente à complexa combinação de um patrimônio cultural e espiritual de mais de 5 mil anos com uma modernidade caótica, mergulhada em fumaça, poeira, cheiros fortes, trânsito infernal e multidões inevitáveis em uma nação com mais de 1 bilhão de habitantes. Ou melhor, um subcontinente, que ocupa uma vasta planície isolada do resto da Ásia pela cordilheira do Himalaia. Sétimo maior país do mundo, a Índia tem solo fértil e rios caudalosos, como o Ganges, considerado sagrado pelos hindus. E o Taj Mahal, claro o mais extravagante monumento já construído ao amor.
Nenhum lugar é tão diversificado e contraditório. Sua economia cresce 7% ao ano e deve tornar-se a terceira do planeta até 2040, segundo algumas previsões. O país concentra a segunda maior população de PhDs do planeta (atrás apenas dos EUA), fornece especialistas em informática para o mundo todo, envia satélites ao espaço e até virou potência nuclear. No entanto, mais da metade de seus habitantes vive na miséria, que se escancara sem pudor diante dos visitantes. É justamente essa predisposição para lidar com os opostos e acolher tudo que assusta quem chega com uma visão idealizada do país na bagagem. Para absorver tudo o que a Índia proporciona, é preciso esquecer o pensamento lógico e se deleitar com suas cores e crenças. Sem a preocupação de explicar o inexplicável. |