Injustamente relegada a segundo plano, Santiago hoje é apenas a escala de uma viagem à Patagônia, ao Atacama, aos Lagos Andinos ou a alguma estação de esqui. Pena. Quem não caminha pela capital do Chile deixa de curtir a atual prosperidade econômica, as ruas limpas e seguras, as construções com ar europeu de alguns bairros e a modernidade dos prédios de aço escovado e vidro fumê. O principal: perde um pouco de sua história e suas tradições.
Tome a troca da guarda, por exemplo, e veja como o lema dos carabineiros do Chile é levado muito a sério: "Ordem e Pátria". O espetáculo acontece no Palacio de la Moneda, sede do governo nacional. Dali, pela porta de serviço na Calle Morandé, saiu o corpo de Salvador Allende na manhã de 11 de setembro de 1973, dia do golpe dado por Pinochet. A porta foi emparedada no governo militar porque se temia que o povo rendesse culto ali ao presidente socialista, mas agora está aberta.
É muito bom caminhar, por exemplo, pelo Paseo Ahumada, o primeiro boulevard construído em Santiago. Ou descobrir o Morro Santa Lucia, onde o conquistador espanhol Pedro de Valdivia fundou Santiago del Nuevo Extremo, em 12 de fevereiro de 1541. Ali se podem admirar fontes, chafarizes e canhões de defesa.
Bem-humorada, a população santiaguina, como no resto do país, trata muito bem os turistas brasileiros. Os vendedores do Mercado Central, por exemplo, sempre fazem a piadinha de pegar um pequeno polvo e dizer sorrindo: "Aqui está seu presidente Lula". |