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Turistas brasileiros batem recorde de compras nos EUA

Em 2010, 1.2 milhão de brasileiros visitaram os EUA, injetando US$ 5.9 bilhões na economia norte-americana

Eles gastam mais per capita que qualquer outra nacionalidade. Em várias partes do planeta, turistas brasileiros gastam em média US$ 43.3 milhões diários, totalizando a gigantesca soma de US$ 1.4 bilhão somente em abril de 2011, um aumento em 83% durante o mesmo período em 2010, segundo dados do Banco Central do Brasil. Em 2010, 1.2 milhão de brasileiros visitaram os Estados Unidos, injetando US$ 5.9 bilhões na economia norte-americana. Mesmo estações de esqui exclusivas em Vermont estão lutando para contratarem instrutores que falam português na tentativa de atender a inesperada e crescente demanda de milhares de brasileiros que se aventuram a descerem as encostas de montanhas cobertas de gelo.

“O Brasil é o nosso maior mercado internacional que mais cresce, até 20% comparado com a última estação”, disse Chris Belanger, do balneário Stowe Mountain Resort.

Entretanto, a tendência não significa que o Governo norte-americano tem facilitado o processo para que turistas brasileiros entrem no país. Ao invés de jogar o tapete vermelho para os viajantes de nações emergentes sul americanas, os EUA faz com que brasileiros e qualquer outra nacionalidade latino americana passe por um processo longo e caro para a obtenção do visto de turista, que dura meses e pode custar milhares de dólares em viagens, acomodação, alimentação e outras despesas; tudo isso antes mesmo de deixar seu país de origem.

Em todo o Brasil, um país maior que área continental dos EUA, o Governo possui somente 4 representações consulares: Brasília (DC), Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Isso significa que uma família residente em Porto Alegre (RS) deverá gastar centenas de dólares em voos domésticos de 700 milhas de distância para transportar cada pessoa até São Paulo, além de mais dólares gastos em hotéis, alimentação e taxis, somente para agendar uma entrevista para a aplicação de vistos, a qual custa US$ 140 adicionais.

Enquanto o Departamento de Estado alega que o tempo de espera para o agendamento de uma entrevista é em média de 30 dias, no Brasil ele pode chegar a 141 dias, segundo Steve Joyce, da US Travel Association. Atualmente, o Consulado dos EUA em São Paulo processa diariamente 2.300 vistos, mais que qualquer outro consulado do país no mundo. Os funcionários consulares estimam que a quase dobrarão a emissão em 2012. O Brasil representa a maior demanda mundial de vistos de turista no mundo, atingindo 234% nos últimos 5 anos, ofuscando até mesmo os 124% da China, segundo o Departamento de Estado.

Representantes da indústria do turismo defendem que o Brasil deveria fazer parte dos países cujos cidadãos não precisam de vistos para entrarem nos EUA (Waiver list). Atualmente existem 36 países na lista, mas nenhum deles da América Latina. Alguns defensores alegam que o fato de o Brasil está de fora prejudica a economia dos EUA e a competitividade global. Por exemplo, o turismo chileno aos EUA caiu mais de 30% em contraste com 10 anos atrás, enquanto que o número de chilenos viajando pelo mundo aumentou em 50%.

Atualmente, o alvo mais lucrativo é o Brasil, a maior economia da América Latina. No passado, a maioria dos brasileiros costumava vir aos EUA em busca de emprego; agora eles vêm para gastar dinheiro e gerar empregos, segundo a revista Time. O dinheiro injetado pelos turistas poderia favorecer de forma tremenda a economia. O turismo aos EUA tem se recuperado vagarosamente desde os ataques terroristas de 11 de setembro, entretanto, perdeu uma década de crescimento, segundo Roger Dow, presidente da US Travel Association.

“Nós consideramos a perda da década. Se tivéssemos acompanhado o ritmo mundial, poderíamos ter gerado mais US$ 606 bilhões e criado 467 mil mais empregos”, disse Dow durante o show turístico Pow Wow realizado em San Francisco (CA).

Segundo a revista Time, apesar da política norte-americana tratar todos os imigrantes latinos como sedentos pelos empregos nos EUA e usurpadores do “Sonho Americano”, inúmeros deles são turistas que já conquistaram seus próprios sonhos brasileiros e chilenos e simplesmente querem visitar e gastar o seu dinheiro aqui. Ao negá-los as boas vindas, pode ser que o Tio Sam esteja também negando aos cidadãos norte-americanos uma melhor oportunidade de conquistar seus próprios sonhos.

Data: 05/01/2012
Fonte: Brazilian Voice
Notícia postada no dia 18/01/2012
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