
A mídia perdeu o tom em relação à cobertura da gripe A (H1N1), também chamada de gripe suína (para desgosto dos produtores de suínos – a revista “Animal World”, que publica as revistas "AveWorld" e "PorkWorld", lançou campanha de boicote aos veículos de imprensa que noticiem tal termo). Na verdade, independentemente da definição, nunca encontrou a melhor forma de abordá-la e, a cada dia, se mostra mais confusa. Tanto o noticiário dos jornais quanto das televisões abordam a epidemia (ou seria pandemia?) de maneira contraditória, ora colocando-a como uma doença que está matando milhões, ora mostrando-a como um vírus de pequena grandeza, mais fraco – ou, no mínimo, semelhante – do que o da gripe comum.
Essa falta de coerência tem causado comportamentos exacerbados na população e, por consequência, levado locais públicos e privados a adotarem medidas que são frutos desmedidos desta “gripesuinofobia”. Na dúvida, prevalece o exagero. No Rio de Janeiro, por exemplo, alguns hotéis oferecem álcool gel aos hóspedes para higienizarem as mãos. O mesmo procedimento pode ser visto em hotéis de Porto Alegre e de muitas outras capitais. O uso de máscaras cirúrgicas, também, deixou de ser um item de segurança, usado por aqueles que apresentam os sintomas da gripe, para tornar-se uma medida de precaução: “se eu usar a máscara, não vou pegar a gripe”, imaginam.
O setor de turismo, que é provavelmente o mais afetado pelos “sintomas” da gripe A (H1N1), também se mostra perdido em meio às informações desencontradas e tem somado prejuízos incalculáveis em todos os níveis. A imagem turística de países como México e Argentina foi profundamente abalada. Os dois destinos viram seus mercados praticamente pararem com o medo alardeado pela mídia. Hotéis, operadoras de viagens e companhias aéreas também contabilizam perdas. Se continuar esta celeuma, o Brasil pode ser o próximo a entrar no rol dos destinos “proibidos” para o turismo. Cada morte pelo vírus no País tem virado manchete dos jornais, como se a gripe normal não matasse tanto quanto.
A falta de informação, no entanto, é quase proporcional à falta de preparação do turismo em relação aos efeitos da gripe. Se amanhã, o ministro da Saúde dos Estados Unidos ou da Argentina, por exemplo, recomendarem que seus compatriotas não viajem ao Brasil para evitar a transmissão do vírus, o turismo brasileiro pode mergulhar em uma crise sem precedentes. Estaríamos preparados para isso?
Por isso, é necessário que se comece, desde já, uma campanha de conscientização dos reais efeitos da gripe A (H1N1). O setor turístico precisa se mobilizar e cobrar que a mídia seja mais coerente. Não é tapar o sol com a peneira, mas, sim, deixar claro os cuidados que se deve ter, sem criar fantasmas. As empresas de turismo também têm papel fundamental nessa campanha, ajudando na conscientização dos viajantes. Caso isso não seja feito, os prejuízos podem ser enormes.
Prejuízos que, por sinal, podem vir até mesmo caso a gripe A (H1N1) “acabe” nas próximas semanas. O prolongamento das férias escolares até meados de agosto no maior centro emissivo de turistas do Brasil, o Estado de São Paulo, pode encurtar as férias de final de ano em até 15 dias. E isso em plena alta estação de verão. O trade turístico precisa se atentar aos efeitos da gripe A (H1N1) ao setor. Encontros como da Braztoa, este mês, e o Congresso da Abav, em outubro, devem tratar deste tema. Com organização, espera-se, no fim tudo não passará de um leve resfriado. |