
Após ganhar o direito de seguir na disputa pelos Jogos Olímpicos de 2016, o Rio de Janeiro vai se concentrar em melhorar os pontos considerados fracos na proposta da cidade, especialmente o setor de acomodações, item em que recebeu a pior nota na avaliação do Comitê Olímpico Internacional (COI) entre as cidades-candidatas.
O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do comitê de candidatura Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, admitiu que as acomodações são o principal obstáculo para a capital fluminense se tornar a primeira cidade da América do Sul a sediar uma Olimpíada.
"Se formos buscar os pontos que nos preocuparam mais, vamos ter um trabalho maior na área de acomodações", disse Nuzman em entrevista coletiva on-line, de Atenas, onde o COI anunciou que, além do Rio, Chicago, Tóquio e Madri seguem na disputa para sediar a Olimpíada de 2016.
O Rio recebeu a nota 6,4 no setor de acomodações, a mais baixa da cidade brasileira entre os 11 itens avaliados. Suas concorrentes ganharam nota alta: Madri teve 8,8, Chicago levou 9,8 e Tóquio, 10.
Segundo o COI, há na cidade uma "deficiência no número de hotéis 3, 4 e 5 estrelas". Para superar o problema, o Rio propõe o uso de transatlânticos, duas vilas de mídia, e albergues, entre outros. O COB afirma que disponibilizará 49.570 quartos para os Jogos.
Na cidade do Rio, hoje, há 28 mil quartos de hotel, e no Estado, 38 mil quartos, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Rio de Janeiro (ABIH-RJ).
"Hoje a taxa de ocupação dos hotéis da cidade é de 70 por cento, ou seja, já existe 30 por cento de desocupação. Não adianta o COB querer 44 mil quartos se a cidade não tem como ocupar esses quartos depois da Olimpíada. Quando acabar a Olimpíada faz o quê? Fecha o hotel?", afirmou à Reuters Alfredo Lopes, presidente da entidade.
"A média anual de crescimento é de mil quartos, então se continuar crescendo nessa proporção, teremos 36 mil quartos em 2016. O resto completa com navios."
"GRAU DE INVESTIMENTO"
Outros itens que atrapalharam a candidatura do Rio no passado --a cidade não passou da primeira etapa para sediar os Jogos de 2004 e 2012-- foram mais bem avaliados desta vez, como transporte e segurança.
Na candidatura pela Olimpíada de 2012, por exemplo, o Rio ganhou a nota 4,8 em segurança e desta vez recebeu 7.
De acordo com Nuzman, o setor de transporte foi elogiado pelo COI --recebeu nota 7,5, contra 7,8 de Chicago, 8,5 de Tóquio e 9 de Madri.
"Temos um orgulho muito grande do trabalho que foi feito, o COI concluiu que o Rio é viável para realizar os Jogos Olímpicos", disse o presidente do COB, acrescentando que as notas serão zeradas para a disputa final, que acontecerá em outubro de 2009, em votação dos membros do COI.
A união entre os governos federal, estadual e municipal foi citada como um dos pontos altos da candidatura do Rio pelo prefeito do Rio, Cesar Maia, pelo governador Sérgio Cabral e pelos dirigentes esportivos.
O quesito "apoio do governo e opinião pública" foi a melhor avaliação que o Rio recebeu, com a nota 8,8.
A segunda melhor nota da cidade brasileira foi em "experiência de eventos esportivos passados", 7,9, alcançada graças aos Jogos Pan-Americanos de 2007, quando o Rio construiu várias instalações esportivas e a Vila Pan-Americana.
O ministro do Esporte, Orlando Silva, comparou a decisão do COI em manter o Rio na disputa ao grau de investimento recebido recentemente pelo Brasil pelas agências de análise de risco de investimento Standard & Poor's e Fitch.
"Essa decisão se equivale à decisão destes organismos internacionais. E nós saberemos reconhecer essa confiança", afirmou o ministro.
"A marca da organização dos Jogos Pan-Americanos será mantida e aperfeiçoada, com a harmonia entre os três níveis de governo, que tocarão por música. Haverá ainda uma participação mais intensa da sociedade e de empresários", completou.
O orçamento da candidatura do Rio à sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016 é de 42 milhões de dólares.
(Reportagem adicional de Pedro Fonseca) |